sábado, 29 de junho de 2013

A outra memória

As mortes vivas, a decomposição vivida, o sentimento de destruição sobre ruínas acelera meu sangue, concentra meu espírito sobre uma palavra.
Então a palavra não desabrocha e permanece recolhida em silêncio. Pouco há que fazer.
Esta memória que sou eu se apagará e será substituída pela memória de Deus e dos anjos. É uma segunda memória de que só temos notícia do outro lado.
Assim como a memória é corporal e se acaba com o corpo, a memória suprida também deveria estar relacionada com algum tipo de corpo, alguma espécie de matéria. Mas talvez seja como a visão antes do olho; memória antes da matéria. O espírito se impressiona e se imprime com seus passados mais significativos. Se há uma substituição da memória e dos cinco sentidos, até quando se pode falar que ainda seremos nós mesmos após a morte e não o que Deus imaginar que devemos ser?

quarta-feira, 12 de junho de 2013

A verdadeira caridade

Muitas vezes podemos ser “caridosos” com nosso próximo e estar encaminhando sua alma para o Inferno. A questão de saber se a caridade é um bem só pode ser resolvida se se tem em mente a verdadeira noção de caridade, que não é filantropia nem resulta do proselitismo de seitas, mas é algo que realmente aproxima outrem de Deus. Em outras palavras, é a caridade cristã, como a entende a Igreja Católica, fora da qual não há salvação. O que espíritas, mórmons e outras seitas nefastas fazem é o oposto da caridade, pois não conduzem a Deus, mas podem causar a perdição eterna da alma que, grata pelo socorro, sente-se curiosa de conhecer a doutrina dos que a ajudaram, o que, em almas mal ou não catequisadas, pode levar a uma futura filiação às ditas seitas e ao desastre espiritual. Pois só agrada a Deus quem acredita em Deus do jeito que Ele quer ser acreditado; a fé vem antes da caridade, pois só podemos amar aquele que conhecemos; e só devemos amá-lo do modo como ele quer ser amado.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Sobre o desaparecimento de blogues católicos

Um dos piores traços do brasileiro em geral é o da inconstância; seguem os ditames do coração, sentimentais a não mais poder, rejeitando a razão e a ordem das coisas como opressoras, e a disciplina como estupidez. Pois desta forma querem ser católicos? Aquele surto de blogues católicos que apareceram na esteira da eleição de Ratzinger em 2005 foi mais uma superficialidade nacional. Pouco a pouco eles foram se extinguindo, um após o outro, com os desencantos e tragédias pessoais de cada blogueiro; e os que não acabaram de vez entraram em hibernação ou se descaracterizaram. Isso não me deixa triste, pois é natural que passe (e logo, de preferência) o que deve passar, o que não tem fundação sólida, terreno árido e estéril onde nada pode medrar. Outra coisa que esses blogues muitas vezes permitiam era a troca de ofensas na sessão de comentários, ou seja, eram ocasião próxima de pecado para muitos, quando não incentivavam diretamente os insultos e as confusões com julgamentos temerários de todo tipo; portanto, nada a lamentar. Ou melhor, há algo a lamentar sim, e é não terem desaparecido mais cedo. Não podemos criar uma verdadeira cultura tradicional – como a que existe na França e na Espanha, por exemplo – dependendo de surtos. Para que ela florescesse e se expandisse, criando massa crítica demográfica, seria preciso ainda uma hecatombe política que nunca tivemos, que ensejasse uma violenta reação baseada em prévia fundamentação teórica. E esta por sua vez deve se difundir aparecendo na literatura, nas artes em geral. Os artistas deste país, contudo, são todos comprometidos com a Revolução, de um modo ou de outro. Como esperar que operem como catalisadores se não se convencerem da justiça e da beleza da tradição? E de que tradição falar, que não seja de pronto ridicularizada pelos patrulhadores revolucionários? Se esta percepção dos valores tradicionais não mudar, não haverá futuro. Ficarão chafurdando em seus pecados e barbárie geração após geração até que um invasor aporte e imprima sua disciplina e rigor à cultura anquilosada dos vencidos. Não haverá resplendor, não haverá honra, nem orientação rumo à estrutura da realidade, mas só frustrações, escravidão, injustiça, feiúra e morte.

domingo, 9 de junho de 2013

Tens rosto mas não tens corpo

Tens rosto mas não tens corpo: assim Deus
Evita a perfeição que embrutece um morto.
Mas orgulho podes ter, embora não muito:
Os traços lembram nobreza e a pele encanta
De claridade tanta. O que te falta sobra nelas,
Nas que confiam em dotes calipígios

Para a própria sobrevivência. Maldita a raça
Que da sedução e não valor viril depende,
Que efeminada se diverte até a perdição eterna,
Irresponsável dos próprios dons da natureza:
Não agüentará o embate das raças, será morta
E nem ruínas manterão sua memória.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Esses bispos

Esses bispos que proíbem comunhão na boca por causa do surto de algum vírus estão dizendo, em outras palavras, que é mais importante a nossa saúde do que recebermos, como Ele quer ser recebido, Cristo para a nossa salvação, Ele mesmo que nos criou do nada e nos mantém em estado saudável pelo tempo que quiser. Tremenda inversão de valores, que só poderia acontecer na mente de um modernista, de um estuprador de seu próprio senso comum e de seu sensus catholicus.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Papolatria

Esses mesmos papólatras, leigos ou não, que saem correndo para apagar o fogo toda vez que um Papa mal formado pronuncia uma besteira, ainda presos mentalmente a uma interpretação idiota da infalibilidade que só nos faz a nós, católicos, motivo de chacota em todo o orbe terrestre, serão os primeiros a o apoiarem quando um dia ele pronunciar as heresias que irão clara e diretamente contra os dogmas mais básicos de nossa fé, contra a moral cristã e contra a caridade, nos tempos do Anticristo. Utilizarão argumentos sutilíssimos na defesa de seu idolatrado, abrindo sobre a mesa tomos empoeirados de concílios antiquíssimos para provar que tudo que se propõe em nada contradiz o que sempre se creu; e as vacas de presépio da época balançarão suas cabeças ocas, babando, ruminando essa excrescência teológica como se sabedoria fosse, e se precipitando alegremente no abismo mais próximo com mugidos atrozes.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Ann Barnhardt: "Islamic Sexuality: A Survey of Evil"

Cá entre nós

Cá entre nós, graças a Deus não existe dogma na música, e não se discutem questões de gosto; do contrário, a julgar pelo que pontificam certos tomistas metidos a musicólogos, teríamos que jogar na lata de lixo da história da música excelentes compositores, apenas porque não foram liturgicamente corretos em suas composições religiosas, ou por qualquer outro motivo banal, que não afeta o valor de sua obra; e muita beleza em arte se perderia, pois não se encaixa na moldura de ferro da filosofia perene.