segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

César Vidal - Os Maçons

Terminei hoje de ler o livro do protestante César Vidal, Os Maçons – a sociedade secreta mais influente da história. Trata-se de uma obra de introdução ao assunto, que não desce às profundezas dos detalhes, mas entusiasma o leitor a buscar mais informações em outros livros. Destaco as partes relacionadas a assuntos pouco tratados ainda como o papel dos “filhos da viúva” nos movimentos de independência da América Latina (como forma de enfraquecer a Espanha inimiga de Napoleão) e nas seitas e movimentos ocultistas contemporâneos como os Mórmons, o Adventismo, a Ciência Cristã, as Testemunhas de Jeová, a Teosofia e o satanismo de Aleister Crowley. O papel da maçonaria fica evidenciado em genocídios como o do Terror, a Comuna e o massacre dos armênios, assim como sua insistência de domínio político, na educação e entre os militares, tudo visto em vôo rasante. Um ponto negativo que achei foi a negação pelo autor da influência histórica exercida pelos judeus nas lojas, considerada como teoria da conspiração sem sentido, apesar de tudo que já foi publicado e comprovado documentalmente por autores sérios e de renome ao longo dos séculos; mas tal não é de se admirar considerando a simpatia do autor com esse povo oriental, talvez pela afinidade espiritual histórica entre judeus e protestantes (Lutero à parte), tendo inclusive Vidal recebido reconhecimento de organizações judaicas como a Fundação Hebraica e Yad-Vashem. Além disso, como protestante que é, trata a Igreja apenas como mais uma “confissão cristã” e considera as várias seitas como pertencentes ao cristianismo. A seu favor, cita as condenações da Igreja à maçonaria em bases espirituais como pertinentes e justificadas.
À parte essas pequenas máculas o livro deve ser lido, mas, repita-se, apenas como introdução a pesquisas posteriores, não como obra de referência.

domingo, 23 de novembro de 2014

O que aumenta em conhecimento, aumenta em dor

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade.
Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol?
Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol.
Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.
Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois.
Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.
E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar.
Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito.
Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular.
Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento.
E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito.
Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor.”
(Eclesiastes 1:2-18)

sábado, 27 de setembro de 2014

O homem sem qualidades

Estou lendo O Homem sem Qualidades (Der Mann ohne Eigenschaften) de Robert Musil, um romance inacabado, mas enorme já no estado em que o autor o deixou (mais de mil páginas), e tem sido uma leitura muito interessante, pois através de seus personagens ele descreve em detalhe a vida quotidiana e os valores e pensamentos de moda no Império Austro-Húngaro da Belle Époque, em processo avançado de descristianização. Em certas passagens iniciais vê-se a identificação da modernidade com a máquina, a eletricidade, o boxe, as corridas de cavalo, o futebol e os cabarés; é uma agitação em oposição ao tempo de vida mais lento e arrastado do passado; o moderno é inquieto “como se formigas corressem em suas veias”; e a moralidade começa a ser outra, mas ainda mantém traços da antiga, e vê-se melhor isso no comportamento das mulheres que, após traírem os maridos, sentem remorso e humilhação e procuram se desculpar disso apelando a impulsos incontroláveis ou insistindo no "respeito a coisas respeitáveis" como a família imperial e as demonstrações de caridade, como uma espécie de compensação pelo pecado cometido, o que as tornava, segundo o autor, maçantes. Nas nações cristãs que apostataram, as mulheres são as primeiras a se converter e as últimas a apostatar. E faz-se presente também todo o fervilhar cultural de talentos que não possuíam genialidade mas se espalhavam em várias atividades artísticas, mantendo a chama da arte acesa e passando-a entre gerações, coisa que por si só espantaria quem vivesse em meio a um deserto cultural de homens vazios e ideias incoerentes e já mil vezes refutadas. Foi a quebra dessa tradição após a guerra que destruiu esses países e aniquilou espiritualmente a Europa, deixando-a à mercê de influências estranhas e nefastas produzidas por engenheiros sociais inimigos da civilização cristã.
A tradução de Lya Luft é excelente, o texto é fluido e as frases nunca mostram, em sua estrutura, que vieram de outro idioma. Imagino a dificuldade de produzir esse efeito trazendo de uma língua declinativa como o alemão. Uma obra prima também nesse quesito.

sábado, 20 de setembro de 2014

Após a débâcle

Se escaparmos à presente débâcle, leremos as notícias de jornal de nossos tempos com profunda tristeza, talvez mesmo horror, mas não diremos que tudo já passou e não voltaremos ao vômito. A memória nos deterá, contudo, na ausência de graça: a memória insofismável, de clareza solar e lógica implacável. Não voltaremos, porque não deixamos desculpas de inexperiência: teremos testado todas as abominações, provado todos os sabores do erro, permitido todos os crimes medonhos. Estará então presente diante dos olhos da análise a longa cadeia de atos que levou ao fundo de lava da história. Seremos tomados de um indescritível alívio por termos superado o abismo, de uma impressionante paz pela reaproximação da ordem interna de nossa natureza, nosso lugar no mundo. Seremos os maiores realistas que já existiram, e teremos a utopia, sempre assassina, como uma afronta, e por utópico o pior nome com que se poderá chamar uma pessoa.
Será a nossa prova definitiva de que a queda não é um mito bíblico e que o Jardim do Éden pode ser recuperado pelo menos em espírito.
Se escaparmos, bem entendido. O que parece cada vez mais improvável.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

William E. Henley: Invictus

Do fundo desta noite que persiste
A me envolver em breu - eterno e espesso,
A qualquer deus - se algum acaso existe,
Por mi’alma insubjugável agradeço.

Nas garras do destino e seus estragos,
Sob os golpes que o acaso atira e acerta,
Nunca me lamentei - e ainda trago
Minha cabeça - embora em sangue - ereta.

Além deste oceano de lamúria,
Somente o Horror das trevas se divisa;
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta, nem me martiriza.

Por ser estreita a senda - eu não declino,
Nem por pesada a mão que o mundo espalma;
Eu sou dono e senhor de meu destino;
Eu sou o comandante de minha alma.

Tradução de André C. S. Masini

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Mosul

"Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra? Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos." (Apoc. 6; 9-11)

sábado, 12 de julho de 2014

R.I.P

Pode-se considerar desperdiçada uma vida que não deixou traços na história?
Se o esforço de uma vida inteira se perde no último momento, onde se fará justiça?
Decerto não no tempo. É portanto necessário que a justiça seja feita em outra dimensão. Chamemo-la eternidade, se assim nos apraz.
Os regimes totalitários trazem esta percepção brutal da extrema precariedade de tudo que existe sob o sol, de como tudo passa sem aparente importância, de como nada parece ser único e o poder é a única realidade da existência. Mas os que conseguem, mesmo com sua morte, preservar um testemunho, fazer com que ele seja passado às escondidas, quando cumprirá seu papel em melhores tempos, são os verdadeiros vitoriosos, os que detêm um poder não corroído nem diminuído pelo tempo.
E isso acontece ainda que entes queridos sejam assassinados pelo Estado e que as condições de sobrevivência sejam uma espécie de morte em vida.
É então que eu penso que alguém que não queria que seu testemunho se perdesse nem que a verdade fosse esmagada pela ideologia não poderia, logicamente, ter desejado ou cometido suicídio, e meu coração se aquieta.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Schadenfreude

Schadenfreude ist die schönste Freude, denn sie kommt von Herzen." (ditado popular) Schadenfreude é a alegria mais bela, já que vem de coração.

sábado, 5 de julho de 2014

Em razão do tempo

Se as coisas precisassem de simultaneidade para surtir efeito, isso seria mais um golpe em nossa precariedade ontológica. Mas Deus, em Sua infinita sabedoria e misericórdia, tal não fez e de certa forma, nestes casos, compartilha Sua eternidade conosco, pobres mortais pecadores. Pois as coisas no tempo se sucedem, mas seus efeitos podem ser antecipados em virtude da eternidade divina. Se na eternidade Ele sabe do que foi, teria sido, é, será e seria de modo perfeito, este conhecimento aplicado ao tempo significa que o presente pode também ter efeito no passado, isto é, que não é inútil ter esperança que nossas ações influam de alguma forma no que já aconteceu. Esta comunicabilidade entre passado, presente e futuro nas mãos de Deus diminui um pouco nossa angústia em relação a nossas limitações, ao fato de só sabermos depois, de não termos podido estar onde queríamos, ou ajudar quem poderíamos. Pois n’Ele temos essa garantia de que nossos atos têm um valor independente do tempo – de que é sempre possível apelar à majestade divina e pedir que o passado possa ser alcançado por nossas súplicas, mesmo já tendo acontecido, mesmo suas conseqüências já tendo agido no tempo – de que naqueles resultados está também nossa oração, nossa penitência, os rigores que nos impusemos para que o melhor acontecesse; e estando presentes no passado como deveríamos estar, nosso coração se consola de termos afinal participado do que, em razão do tempo apenas, não pudemos.

sábado, 21 de junho de 2014

Imaturidade e história

A falta de maturidade exige satisfação imediata e é-lhe impensável o sacrifício pelo futuro. Um povo pode querer não amadurecer porque isso implica em passar pela dor e pelo sacrifício de si mesmo. Ele não vê no universo nada mais digno que seu próprio conforto. Talvez seja até bem-humorado, mas guarda dentro de si uma angústia quase imperceptível. É uma espécie de acídia retroalimentada pelos demais pecados, que por sua vez são constantemente fomentados por uma baixa cultura que só incentiva a satisfação dos instintos. Daí porque os povos mais infantilizados por sua própria cultura são também os que menos têm e entendem o que seja história.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Basbaques

Por que torcer por jogadores que à primeira oportunidade deixam o Brasil e vão jogar em outros países onde recebem salários milionários? Se amassem de verdade seu país, não iriam embora daqui. Mas seu nacionalismo só aparece na época dos jogos da seleção. Nos outros momentos a pátria está onde pagarem melhor. Há até daqueles que por dinheiro assumem a nacionalidade de outras terras e ainda querem ser considerados brasileiros, ou os pobres de favela que há muito deixaram de ser. E serem pagos nababescamente para vadiar e vez por outra chutarem bola é uma tremenda injustiça com aqueles que ganham miséria para salvar vidas e melhorar a existência dos homens. Os jogadores são uma raça de fingidos, uns enganadores dos idiotas que ainda torcem por eles. É ridícula essa paixão brasileira reducionista que mostra como são mesmo um povo imaturo, bitolado, manipulável emocionalmente, sem caráter, sem noção da proporção justa das coisas e dos seres. Um povo de basbaques, de pusilânimes e cínicos, de sem-vergonhas e corruptos. Quero mais é que se danem, que percam esta copa nos acréscimos do segundo tempo, com um gol de impedimento feito com a mão! Só assim, talvez, mas realço o talvez, pois já aconteceu antes e não se emendaram, começariam a perceber em qual ilusão mergulharam para fugir de seus problemas diários, da violência e estiagem moral em que alegremente chafurdam, da desgraça civilizacional que criaram e mantêm viva com a maior cara de pau do mundo.
Uma conhecida no Facebook escreve: A rua alagada e um carro trancou o nosso; a gente sofre, mas é feliz! – e mostra uma foto, sorridente com as amigas. Pois digo que essa felicidade é a nossa maior desgraça e ainda vai nos levar gargalhando ao abismo mais fundo! Porque um povo que não leva nada a sério é um povo pronto para ser escravizado; e essa alegria que deveria nos fazer pensar, em vez de ser glorificada e exaltada mundo afora, é justamente a que recebe essa maldita copa do jeito que vier, com corrupção e desperdício, e aceita todo tipo de desmando e violência, teatralizando a própria tragédia e destruindo com isso suas próprias possibilidades de desenvolvimento e civilização. Mas quem é que deles sabe o que é civilização?

terça-feira, 20 de maio de 2014

Salvação e perdição

Às vezes penso: é bom que não haja além, pois se houver há mais chance em minha religião de ser condenado que de me salvar. Mas depois me lembro que um tal pensamento leva a concluir que, não havendo nada, não haverá também amor, nem o belo, o bom e o verdadeiro, que só teriam uma existência imperfeita aqui na terra. E não posso decidir.
Igualmente se diz que recebemos graças suficientes para nossa salvação durante a vida e que nossa aceitação ou negação delas é que define nosso destino eterno. Mas onde encontrar o limite a partir do qual sou livre para escolher e não tenho uma carga insuportável de exigências naturais me contaminando o livre arbítrio? Com este limite conhecido, eu saberia, também, em que pé me encontro em minhas negações e aprovações. O homem não tem pleno conhecimento, ele tateia na penumbra, ainda que tenha fé; tem diante de si relatos de inspirações e de alguns supostos milagres, que algumas filosofias anti-sobrenaturalistas tentam desconstruir como um discurso; mas a história inteira lhe é desconhecida, pelo menos até o Juízo. Como decidir nestas condições? Seria só confiar uma resposta perfeitamente humana? Não seria descartar nessa resposta muito do que de mais nobre há em nossa natureza humana? Por que Deus se satisfaria somente com isso? O homem nasceu para amar, mas antes para inteligir.
Também penso em como é frustrante, para quem está investigando as várias religiões para escolher uma ou nenhuma, antes de dar o passo definitivo, perceber que a nossa, a católica, afirma que a maioria se dana e só uma minoria estatística se salva. Ele tem todo o direito de ponderar seriamente: “Que Deus é este que não se importa que seus filhos adotivos se percam e coloca Seu respeito ao livre arbítrio acima da condenação deles ao fogo eterno? Que importa se com isso as almas salvas tenham um valor infinitamente maior que as outras que Ele mesmo criou, se do outro lado essas criações que Ele amou e criou estão descartadas, destruídas para sempre em um sofrimento sem fim, maior que qualquer punição razoável teria exigido? As respostas dos teólogos medievais, de que como o ofendido é infinito a punição também deve ser infinita, não percebe que um Deus onipotente sentir-se ofendido e exigir de uma criatura, que é praticamente um nada e nada pode contra Ele, que sofra indizivelmente pela eternidade como restituição do que teria tirado dele e Ele teria perdido, sendo que perder é coisa impossível para um Deus, e tirar de Deus mais impossível ainda para uma criatura, é pedir do crente que acredite em um Deus mesquinho e vingativo, cuja justiça não diferiria absolutamente em nada da justiça dos antigos deuses pagãos, tão cheios de defeitos e tão humanos. Além disso, o número maior das almas que se danam não coloca o resultado dessa batalha a favor do diabo contra Deus? Minhas chances de salvação são menores aqui que em outras religiões que já estudei, como por exemplo as que pregam vidas sucessivas, onde todos ao final se salvam, muito embora uns mais rápido que outros.”
O incrédulo assim se afastaria da nossa religião com temor e tremor e nunca mais iria querer se reaproximar de nossas doutrinas e dogmas. E depois nos lamentamos que a impiedade aumente no mundo e cresça o número de ateus ou indiferentes, quando a esperança que nossa religião promete é no fundo uma perdição!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O que realmente conta em uma sociedade

Recebi estes dias um e-mail que trata de uma resposta de uma doutora portuguesa a uma reportagem mau-caráter que uma atriz brasileira fez em Portugal. A ênfase da resposta na tecnologia, procurando mostrar que Portugal não era um país atrasado, me deixou a pensar. Por que para tantos neste mundo o canto de sereia da tecnologia ainda seduz e por que para eles a tecnologia é a salvação de um país? Será que o mundo está tão materialista assim, ou são só as elites? Muito pior se forem as elites! Pois abandonado às próprias forças, o povo vira joguete de demagogos. Não é capaz de por si mesmo encontrar a verdade. Uma elite formada nas melhores virtudes é capaz de inspirar pelo exemplo e regenerar um povo. Isso aconteceu no processo de cristianização da Europa e não à toa um rei convertido era uma grande vitória para o Cristianismo. A maçonaria também entendeu a importância de arregimentar a nata da sociedade para seus fins espúrios e sempre buscou em primeiro lugar pessoas de destaque que exercessem poder de influência.
O grande ponto que significa "avanço" em um país, o único que conta, por sinal, porque ao contrário do que acreditam os ateus, este mundo não é tudo que existe - o grande diferencial é este: se um povo coloca o Reinado Social de Jesus Cristo entre seus ideais, se os valores cristãos fazem parte de suas instituições, se a moral cristã está firme e forte entre as famílias. Não adianta quererem tecnologia, isso é de menos num povo. A tecnologia é contraditória: diz-se que aproxima as pessoas, quando as afasta visivelmente; veja-se o caso das redes sociais, que de fato dessocializam as pessoas, isoladas cada uma com seu celular mesmo quando fisicamente entre amigos! Um país altamente atrasado em tecnologia e ciência pode pelo contrário ser um país onde haja mais amor e paz e felicidade entre as pessoas; e um outro superdesenvolvido, hipertecnológico, riquíssimo, ser um país onde as pessoas se odeiam profundamente, competem entre si como animais furiosos, onde as famílias sejam todas desfuncionais, as crianças percam cedo a inocência, quando lhes permitem nascer, ou sejam mortas no útero da própria mãe, em nome de uma suposta qualidade de vida; onde os velhos não têm mais direito de viver e a sodomia é colocada em patamar superior ao da família pelo Estado. Mas as aparências deslumbram os homens, que se atraem por superficialidades, pelo que não os alimenta espiritualmente, nem seu intelecto, nem sua vontade; por coisas que ao fim não levarão consigo, quando seus dias terminarem sobre a terra.
Neste sentido, creio que Portugal, terra escolhida para evangelização dos pagãos americanos, africanos e asiáticos, ainda esteja à nossa frente, séculos depois do descobrimento, embora ultimamente a decadência da sociedade portuguesa, mormente após a maçônica Revolução dos Cravos, esteja trazendo seu nível para mais perto de nós.

sábado, 26 de abril de 2014

Conflito

Pegue todas as linhas de um teorema e analise-as uma por uma tentando demonstrar que estão certas ou erradas. É trabalho inútil, porque um sistema em si não é auto-explicável. Você no máximo pode atestar se são contraditórias ou não. O sistema recebe sua justificativa de fora, de um sistema que o engloba e que completa suas lacunas, as quais em religião se denominam ‘mistérios’. Mas para abarcar um sistema que engloba o infinito e o finito, seria necessário um sistema inteiramente infinito. Contudo, um sistema inteiramente infinito perde de vista o finito para deter-se nos dados da eternidade. Sem essa perspectiva do finito, no entanto, o sistema se torna uma simples aplicação de fórmulas, que são insuficientes para o ser vivo a quem são necessárias respostas também vivas e finitas. Uma resposta infinita não responde ao finito. A tentativa de infinitizar o finito leva à descaracterização deste que se perde no oceano de mistérios do sistema que lhe é apresentado como explicador. O finito não entende o infinito. A descaracterização, contudo, não faz parte da ordem do universo. A ordem é necessária a qualquer sistema, ou seja, o sistema deve ser aplicável ao que é imanente com respostas imanentes. Uma religião apenas de fórmulas que apontam para realidades inalcançáveis pela experiência humana – esta experiência de carne e osso no tempo e no espaço, e não de carne e osso gloriosos – seria seca e fria, verdadeiramente inumana e descambaria em uma visão pessimista e desoladora da vida. Mas se poderia objetar que é justamente na participação do finito no infinito que está a realização do sistema; que esta é sua fundamentação, pois o infinito é origem do finito; o que leva a outro problema: como pode haver participação em reinos assim tão diferentes, se não se tratar de uma aniquilação do finito no infinito? Diz-se que essa participação eleva a natureza sem destruí-la, mas nesse caso estaríamos de volta à infinitização do finito, que é sua perda total de imanência e conseqüentemente de sua essência e identidade.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

No mesmo instante

No mesmo instante quando atinges teu máximo, é lá que és fulminado. Parece ser lei natural que o bem superior não possa ser alcançado na terra; e isso deveria nos fazer pensar. Um mundo que não é feito para a alegria, a paz ou a felicidade é um mundo amaldiçoado por quem o criou. No entanto, é nessa maldição mesma que se encontram as condições para a felicidade possível, para a alegria e a paz possíveis. As tentativas de chegar no aqui e agora à felicidade fracassaram e fracassarão, pois está na própria natureza das coisas não permitir esse sucesso; o universo inteiro conspira pelo fracasso; e se por algum intervalo parecer que as condições irão mudar, é que assim se permite, para que a queda e a desgraça imediatamente depois ensinem melhor e doam mais. O esforço imanentista do homem só traz loucura e morte. A vida plena, portanto, não deve ser buscada neste mundo, mas em outro lugar. Onde buscar, se este mundo for tudo que há? Mas nossa contínua sede por esta pátria que não conhecemos mas pela qual sentimos saudade é prova cabal de que existe, embora para chegar até ela devamos antes passar um tempo dentro da maldição, expiando a cada segundo a culpa de apenas ser, para ao final nascermos de novo à luz que de início nos abençoou para depois nos amaldiçoar.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Facebook, Tirteu e a estupidez humana

Um amigo meu me fala de uma de suas experiências desagradáveis no Facebook. Mais uma das muitas de que já ouvi falar. Trata-se de um lugar virtual onde a estupidez, o orgulho e a falsidade campeiam. Isso seria previsível, considerando o estado caído do homem. Mas ainda havia até pouco tempo atrás certas regras de etiqueta no trato com os demais, que simplesmente parece que se perderam em nossa cultura. Desapareceram porque eram poucos os que as transmitiam, porque não traziam vantagem, porque os valores anticivilizacionais venceram a guerra cultural; seja o que for, foi uma catástrofe da qual não nos recuperaremos. Há ainda uns heróis solitários que tentam deter a avalanche mas serão soterrados. A força da estupidez é invencível até para os deuses.
Mas digredi um pouco. Meu amigo me falava que uma postagem de um grupo antiaborto do qual fazia parte citava que Esparta fora uma cidade onde as crianças que nasciam fracas ou com algum defeito físico eram sacrificadas e associava isso ao fato de não ter havido grandes nomes espartanos nas artes, filosofia e outros ramos da cultura. Como se em Atenas e nas outras grandes cidades gregas da época não se abortasse! Meu amigo lembrou-se então do poeta guerreiro Tirteu e comentou. A fúria dos antiabortistas caiu sobre ele violentamente, buscaram fazer piada de sua ressalva, como se o erro da postagem não pudesse e não devesse ser consertado, apenas porque a causa era justa. Com certeza devem ter achado que ele era um abortista infiltrado, pois se esposasse os valores do grupo, segundo a cabeça deles, não teria chamado a atenção para uma imprecisão histórica. Algo que talvez manchasse a pureza da luta! Mas se a causa deles é santa, a primeira característica de quem a defende deve ser a humildade, a consciência de que somos vermes asquerosos e rastejantes, que erramos constantemente e precisamos uns dos outros e da graça de Deus para nos fortalecermos nessas batalhas contra o estado invertido de coisas.
O fulcro desse problema é a crença de que se alguém ou algum povo se encontra em pecado mortal não produzirá nada que preste. Mas esse argumento é falacioso, como prova a História. Somente um ignorante poderia defendê-lo, e se conhece a História e mesmo assim ainda acredita então é um estúpido. Isso é até mesmo teologicamente comprovado, pois um padre em pecado mortal pode celebrar missa válida.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Contra o francês

Quando um francês quer convencer outro francês, ele usa de formas rebuscadas de expressão, de certos clichês sintáticos, de uns supostos embelezamentos da frase, quanto a sons e posição das palavras, infelizmente imitados à farta em terras tupiniquins como o supra-sumo da civilização e que me dão nos nervos; daí nunca haver tido o menor interesse em aprender a língua. Prefiro mil vezes o inglês com sua expressão direta, mais tosca, mas que menos distrai para a essência daquilo sobre o qual se discute. Até o alemão, idioma militar, com suas concatenações infindas e sutilezas proboscídeas, é menos afetado e artificial que o francês, que busca a complicação apenas para seduzir, mesmo para o simplesmente óbvio; enquanto a natureza mais plástica do alemão serve à maravilha quando se trata de expressar o que ainda não encontrou o suficiente em qualquer outra língua. A cultura francesa é uma cultura de pedantes que não se fartam das curvas e odeiam as linhas e sua influência universal tem sido a maior catástrofe espiritual da humanidade de todos os tempos.