sábado, 1 de fevereiro de 2014

Facebook, Tirteu e a estupidez humana

Um amigo meu me fala de uma de suas experiências desagradáveis no Facebook. Mais uma das muitas de que já ouvi falar. Trata-se de um lugar virtual onde a estupidez, o orgulho e a falsidade campeiam. Isso seria previsível, considerando o estado caído do homem. Mas ainda havia até pouco tempo atrás certas regras de etiqueta no trato com os demais, que simplesmente parece que se perderam em nossa cultura. Desapareceram porque eram poucos os que as transmitiam, porque não traziam vantagem, porque os valores anticivilizacionais venceram a guerra cultural; seja o que for, foi uma catástrofe da qual não nos recuperaremos. Há ainda uns heróis solitários que tentam deter a avalanche mas serão soterrados. A força da estupidez é invencível até para os deuses.
Mas digredi um pouco. Meu amigo me falava que uma postagem de um grupo antiaborto do qual fazia parte citava que Esparta fora uma cidade onde as crianças que nasciam fracas ou com algum defeito físico eram sacrificadas e associava isso ao fato de não ter havido grandes nomes espartanos nas artes, filosofia e outros ramos da cultura. Como se em Atenas e nas outras grandes cidades gregas da época não se abortasse! Meu amigo lembrou-se então do poeta guerreiro Tirteu e comentou. A fúria dos antiabortistas caiu sobre ele violentamente, buscaram fazer piada de sua ressalva, como se o erro da postagem não pudesse e não devesse ser consertado, apenas porque a causa era justa. Com certeza devem ter achado que ele era um abortista infiltrado, pois se esposasse os valores do grupo, segundo a cabeça deles, não teria chamado a atenção para uma imprecisão histórica. Algo que talvez manchasse a pureza da luta! Mas se a causa deles é santa, a primeira característica de quem a defende deve ser a humildade, a consciência de que somos vermes asquerosos e rastejantes, que erramos constantemente e precisamos uns dos outros e da graça de Deus para nos fortalecermos nessas batalhas contra o estado invertido de coisas.
O fulcro desse problema é a crença de que se alguém ou algum povo se encontra em pecado mortal não produzirá nada que preste. Mas esse argumento é falacioso, como prova a História. Somente um ignorante poderia defendê-lo, e se conhece a História e mesmo assim ainda acredita então é um estúpido. Isso é até mesmo teologicamente comprovado, pois um padre em pecado mortal pode celebrar missa válida.