quarta-feira, 21 de maio de 2014

Basbaques

Por que torcer por jogadores que à primeira oportunidade deixam o Brasil e vão jogar em outros países onde recebem salários milionários? Se amassem de verdade seu país, não iriam embora daqui. Mas seu nacionalismo só aparece na época dos jogos da seleção. Nos outros momentos a pátria está onde pagarem melhor. Há até daqueles que por dinheiro assumem a nacionalidade de outras terras e ainda querem ser considerados brasileiros, ou os pobres de favela que há muito deixaram de ser. E serem pagos nababescamente para vadiar e vez por outra chutarem bola é uma tremenda injustiça com aqueles que ganham miséria para salvar vidas e melhorar a existência dos homens. Os jogadores são uma raça de fingidos, uns enganadores dos idiotas que ainda torcem por eles. É ridícula essa paixão brasileira reducionista que mostra como são mesmo um povo imaturo, bitolado, manipulável emocionalmente, sem caráter, sem noção da proporção justa das coisas e dos seres. Um povo de basbaques, de pusilânimes e cínicos, de sem-vergonhas e corruptos. Quero mais é que se danem, que percam esta copa nos acréscimos do segundo tempo, com um gol de impedimento feito com a mão! Só assim, talvez, mas realço o talvez, pois já aconteceu antes e não se emendaram, começariam a perceber em qual ilusão mergulharam para fugir de seus problemas diários, da violência e estiagem moral em que alegremente chafurdam, da desgraça civilizacional que criaram e mantêm viva com a maior cara de pau do mundo.
Uma conhecida no Facebook escreve: A rua alagada e um carro trancou o nosso; a gente sofre, mas é feliz! – e mostra uma foto, sorridente com as amigas. Pois digo que essa felicidade é a nossa maior desgraça e ainda vai nos levar gargalhando ao abismo mais fundo! Porque um povo que não leva nada a sério é um povo pronto para ser escravizado; e essa alegria que deveria nos fazer pensar, em vez de ser glorificada e exaltada mundo afora, é justamente a que recebe essa maldita copa do jeito que vier, com corrupção e desperdício, e aceita todo tipo de desmando e violência, teatralizando a própria tragédia e destruindo com isso suas próprias possibilidades de desenvolvimento e civilização. Mas quem é que deles sabe o que é civilização?

terça-feira, 20 de maio de 2014

Salvação e perdição

Às vezes penso: é bom que não haja além, pois se houver há mais chance em minha religião de ser condenado que de me salvar. Mas depois me lembro que um tal pensamento leva a concluir que, não havendo nada, não haverá também amor, nem o belo, o bom e o verdadeiro, que só teriam uma existência imperfeita aqui na terra. E não posso decidir.
Igualmente se diz que recebemos graças suficientes para nossa salvação durante a vida e que nossa aceitação ou negação delas é que define nosso destino eterno. Mas onde encontrar o limite a partir do qual sou livre para escolher e não tenho uma carga insuportável de exigências naturais me contaminando o livre arbítrio? Com este limite conhecido, eu saberia, também, em que pé me encontro em minhas negações e aprovações. O homem não tem pleno conhecimento, ele tateia na penumbra, ainda que tenha fé; tem diante de si relatos de inspirações e de alguns supostos milagres, que algumas filosofias anti-sobrenaturalistas tentam desconstruir como um discurso; mas a história inteira lhe é desconhecida, pelo menos até o Juízo. Como decidir nestas condições? Seria só confiar uma resposta perfeitamente humana? Não seria descartar nessa resposta muito do que de mais nobre há em nossa natureza humana? Por que Deus se satisfaria somente com isso? O homem nasceu para amar, mas antes para inteligir.
Também penso em como é frustrante, para quem está investigando as várias religiões para escolher uma ou nenhuma, antes de dar o passo definitivo, perceber que a nossa, a católica, afirma que a maioria se dana e só uma minoria estatística se salva. Ele tem todo o direito de ponderar seriamente: “Que Deus é este que não se importa que seus filhos adotivos se percam e coloca Seu respeito ao livre arbítrio acima da condenação deles ao fogo eterno? Que importa se com isso as almas salvas tenham um valor infinitamente maior que as outras que Ele mesmo criou, se do outro lado essas criações que Ele amou e criou estão descartadas, destruídas para sempre em um sofrimento sem fim, maior que qualquer punição razoável teria exigido? As respostas dos teólogos medievais, de que como o ofendido é infinito a punição também deve ser infinita, não percebe que um Deus onipotente sentir-se ofendido e exigir de uma criatura, que é praticamente um nada e nada pode contra Ele, que sofra indizivelmente pela eternidade como restituição do que teria tirado dele e Ele teria perdido, sendo que perder é coisa impossível para um Deus, e tirar de Deus mais impossível ainda para uma criatura, é pedir do crente que acredite em um Deus mesquinho e vingativo, cuja justiça não diferiria absolutamente em nada da justiça dos antigos deuses pagãos, tão cheios de defeitos e tão humanos. Além disso, o número maior das almas que se danam não coloca o resultado dessa batalha a favor do diabo contra Deus? Minhas chances de salvação são menores aqui que em outras religiões que já estudei, como por exemplo as que pregam vidas sucessivas, onde todos ao final se salvam, muito embora uns mais rápido que outros.”
O incrédulo assim se afastaria da nossa religião com temor e tremor e nunca mais iria querer se reaproximar de nossas doutrinas e dogmas. E depois nos lamentamos que a impiedade aumente no mundo e cresça o número de ateus ou indiferentes, quando a esperança que nossa religião promete é no fundo uma perdição!

sexta-feira, 9 de maio de 2014

O que realmente conta em uma sociedade

Recebi estes dias um e-mail que trata de uma resposta de uma doutora portuguesa a uma reportagem mau-caráter que uma atriz brasileira fez em Portugal. A ênfase da resposta na tecnologia, procurando mostrar que Portugal não era um país atrasado, me deixou a pensar. Por que para tantos neste mundo o canto de sereia da tecnologia ainda seduz e por que para eles a tecnologia é a salvação de um país? Será que o mundo está tão materialista assim, ou são só as elites? Muito pior se forem as elites! Pois abandonado às próprias forças, o povo vira joguete de demagogos. Não é capaz de por si mesmo encontrar a verdade. Uma elite formada nas melhores virtudes é capaz de inspirar pelo exemplo e regenerar um povo. Isso aconteceu no processo de cristianização da Europa e não à toa um rei convertido era uma grande vitória para o Cristianismo. A maçonaria também entendeu a importância de arregimentar a nata da sociedade para seus fins espúrios e sempre buscou em primeiro lugar pessoas de destaque que exercessem poder de influência.
O grande ponto que significa "avanço" em um país, o único que conta, por sinal, porque ao contrário do que acreditam os ateus, este mundo não é tudo que existe - o grande diferencial é este: se um povo coloca o Reinado Social de Jesus Cristo entre seus ideais, se os valores cristãos fazem parte de suas instituições, se a moral cristã está firme e forte entre as famílias. Não adianta quererem tecnologia, isso é de menos num povo. A tecnologia é contraditória: diz-se que aproxima as pessoas, quando as afasta visivelmente; veja-se o caso das redes sociais, que de fato dessocializam as pessoas, isoladas cada uma com seu celular mesmo quando fisicamente entre amigos! Um país altamente atrasado em tecnologia e ciência pode pelo contrário ser um país onde haja mais amor e paz e felicidade entre as pessoas; e um outro superdesenvolvido, hipertecnológico, riquíssimo, ser um país onde as pessoas se odeiam profundamente, competem entre si como animais furiosos, onde as famílias sejam todas desfuncionais, as crianças percam cedo a inocência, quando lhes permitem nascer, ou sejam mortas no útero da própria mãe, em nome de uma suposta qualidade de vida; onde os velhos não têm mais direito de viver e a sodomia é colocada em patamar superior ao da família pelo Estado. Mas as aparências deslumbram os homens, que se atraem por superficialidades, pelo que não os alimenta espiritualmente, nem seu intelecto, nem sua vontade; por coisas que ao fim não levarão consigo, quando seus dias terminarem sobre a terra.
Neste sentido, creio que Portugal, terra escolhida para evangelização dos pagãos americanos, africanos e asiáticos, ainda esteja à nossa frente, séculos depois do descobrimento, embora ultimamente a decadência da sociedade portuguesa, mormente após a maçônica Revolução dos Cravos, esteja trazendo seu nível para mais perto de nós.