sábado, 12 de julho de 2014

R.I.P

Pode-se considerar desperdiçada uma vida que não deixou traços na história?
Se o esforço de uma vida inteira se perde no último momento, onde se fará justiça?
Decerto não no tempo. É portanto necessário que a justiça seja feita em outra dimensão. Chamemo-la eternidade, se assim nos apraz.
Os regimes totalitários trazem esta percepção brutal da extrema precariedade de tudo que existe sob o sol, de como tudo passa sem aparente importância, de como nada parece ser único e o poder é a única realidade da existência. Mas os que conseguem, mesmo com sua morte, preservar um testemunho, fazer com que ele seja passado às escondidas, quando cumprirá seu papel em melhores tempos, são os verdadeiros vitoriosos, os que detêm um poder não corroído nem diminuído pelo tempo.
E isso acontece ainda que entes queridos sejam assassinados pelo Estado e que as condições de sobrevivência sejam uma espécie de morte em vida.
É então que eu penso que alguém que não queria que seu testemunho se perdesse nem que a verdade fosse esmagada pela ideologia não poderia, logicamente, ter desejado ou cometido suicídio, e meu coração se aquieta.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Schadenfreude

Schadenfreude ist die schönste Freude, denn sie kommt von Herzen." (ditado popular) Schadenfreude é a alegria mais bela, já que vem de coração.

sábado, 5 de julho de 2014

Em razão do tempo

Se as coisas precisassem de simultaneidade para surtir efeito, isso seria mais um golpe em nossa precariedade ontológica. Mas Deus, em Sua infinita sabedoria e misericórdia, tal não fez e de certa forma, nestes casos, compartilha Sua eternidade conosco, pobres mortais pecadores. Pois as coisas no tempo se sucedem, mas seus efeitos podem ser antecipados em virtude da eternidade divina. Se na eternidade Ele sabe do que foi, teria sido, é, será e seria de modo perfeito, este conhecimento aplicado ao tempo significa que o presente pode também ter efeito no passado, isto é, que não é inútil ter esperança que nossas ações influam de alguma forma no que já aconteceu. Esta comunicabilidade entre passado, presente e futuro nas mãos de Deus diminui um pouco nossa angústia em relação a nossas limitações, ao fato de só sabermos depois, de não termos podido estar onde queríamos, ou ajudar quem poderíamos. Pois n’Ele temos essa garantia de que nossos atos têm um valor independente do tempo – de que é sempre possível apelar à majestade divina e pedir que o passado possa ser alcançado por nossas súplicas, mesmo já tendo acontecido, mesmo suas conseqüências já tendo agido no tempo – de que naqueles resultados está também nossa oração, nossa penitência, os rigores que nos impusemos para que o melhor acontecesse; e estando presentes no passado como deveríamos estar, nosso coração se consola de termos afinal participado do que, em razão do tempo apenas, não pudemos.