sábado, 12 de julho de 2014

R.I.P

Pode-se considerar desperdiçada uma vida que não deixou traços na história?
Se o esforço de uma vida inteira se perde no último momento, onde se fará justiça?
Decerto não no tempo. É portanto necessário que a justiça seja feita em outra dimensão. Chamemo-la eternidade, se assim nos apraz.
Os regimes totalitários trazem esta percepção brutal da extrema precariedade de tudo que existe sob o sol, de como tudo passa sem aparente importância, de como nada parece ser único e o poder é a única realidade da existência. Mas os que conseguem, mesmo com sua morte, preservar um testemunho, fazer com que ele seja passado às escondidas, quando cumprirá seu papel em melhores tempos, são os verdadeiros vitoriosos, os que detêm um poder não corroído nem diminuído pelo tempo.
E isso acontece ainda que entes queridos sejam assassinados pelo Estado e que as condições de sobrevivência sejam uma espécie de morte em vida.
É então que eu penso que alguém que não queria que seu testemunho se perdesse nem que a verdade fosse esmagada pela ideologia não poderia, logicamente, ter desejado ou cometido suicídio, e meu coração se aquieta.